19 de outubro de 2011

Palestra Heinrich Kramer / Dinamarca: “Como o homem precisa de luz”

Kramer começou a palestra dizendo que há duas filosofias em iluminação: os padrões existentes e o design da iluminação, e que há um grande esforço dos Designers em combater tais padrões. Para ele, faltam conhecimentos sobre luz para a saúde do ser-humano. Mas sabe-se que quase todos os órgãos do corpo precisam de luz para funcionarem bem. E que precisamos de muito mais luz do que as fontes artificiais são capazes de proporcionar, se pensarmos em economia de energia.
Há dois caminhos através dos quais o homem absorve a luz: pela pele e pelos olhos. Através da pele os raios U.V.b e Infra-vermelho ajudam na produção de vitamina D, vital para o Homem. 
Através dos olhos a luz estabelece uma espécie de “relógio interno” que coincide com um “relógio do cérebro”, chamado ciclo circadiano. Este é o ritmo em que nosso organismo produz alternadamente dois tipos de hormônios: o ACTH + cortisol, responsáveis pela vigília; e a melatonina, responsável pelo sono.
Para Kramer, a indústria está desenvolvendo as tecnologias da iluminação ainda baseada nos antigos parâmetros quantitativos para uma boa iluminação. Mas segundo ele, a melhoria da qualidade dos ambientes iluminados deveria levar em consideração em primeiro lugar: uma luz para a saúde e para os estados psicológicos e emocionais, e em segundo lugar a arquitetura.
Segundo Kramer as necessidades humanas com relação à luz são:
  1. saúde e bem estar do homem;
  2. sentido de orientação e espaço no tempo;
  3. comunicação e privacidade;
  4. percepção da situação existente e evitar contradições;
  5. sutis variações sem monotonia.
A sugestão de Kramer é que a luz artificial tente ao máximo se aproximar dos estímulos luminosos que sempre existiram na existência humana, evitando assim uma série de doenças relacionadas à falta ou excesso de luz. Para ele, a luz à noite deve ser sempre uma luz baixa, situada abaixo do nível dos olhos e em temperaturas de cor amareladas, mais próximas da luz do fogo. Nunca uma luz geral e homogênea.
Esses parâmetros são totalmente diferentes dos padrões existentes, não são mensuráveis e são “muito mais complexos do que os engenheiros gostariam.”
Questões levantadas pela platéia:
  • O excesso de sol não é recomendado pelos dermatologistas.
  • Como propor uma mudança de comportamento, já que trabalhamos até muito mais tarde do que o pôr-do-sol com a luz de nossos laptops? A sociedade quer esse tipo de mudança?
OBS: anotações e traduções informais de Fernanda Carvalho sobre o conteúdo das palestras do PLDC - Madrid 2011

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