25 de maio de 2011

Olafur Eliasson no Brasil

Na edição do evento SESC Video Brasil 2011, que ocorre em setembro deste ano, vamos ter o prazer de ter em São Paulo uma exposição do artista dinamarquês Olafur Eliasson. É o artista vivo que mais admiro por seu trabalho com elementos essenciais: ar, vento, terra, fumaça, gelo, musgo e... LUZ. Eliasson está criando trabalhos especialmente para os locais de exposição: SESC Pompéia, Belenzinho e Pinacoteca. Além de trazer trabalhos já conhecidos. Aqui vai um trecho de uma entrevista concedida à folha de São Paulo em 2010:

"Como nós sabemos, todo trabalho, no fim, depende de luz, mesmo uma pintura negra. Nos últimos anos tenho me interessado pela luz tanto para falar da desmaterialização da obra de arte, seja em sua própria definição, como uma afirmação crítica. Mas também me interesso em como a luz pode provocar nuances na forma como nos orientamos na sociedade. Ambos elementos serão tratados na mostra.
Talvez o Brasil, ao menos da forma que o conheço, não seja tão famoso pela sua luz, mas pela crueldade de sua luz, porque as diferenças dela são muito intensas: no Rio, ela é muito intensa, mas em São Paulo, que é um lugar muito alto, raramente se observa o pôr do sol, por exemplo.
Assim, porque o Brasil é muito grande, há muitas intensidades distintas de luz e isso, sem dúvida me interessa porque apesar de se pensar que a luz é um fenômeno globalizado, ela é, na verdade, altamente localizada. Há uma grande diferença entre a luz no centro da cidade, até por conta da poluição, e ao redor dela, ou no interior. E nossa impressão da luz está muito vinculada à impressão de temporalidade. Então se estamos num ambiente desgastante como São Paulo, a luz parece muito mais estressante do que se você estivesse na floresta, por exemplo. Nesse sentido é que percebo a grande crueldade, ou diversidade, da luz no Brasil."

Interessante, não é?