10 de abril de 2012

Publicação da dissertação

Para quem quiser ler minha dissertação de mestrado apresentada à FAUUSP em Março de 2011, "A construção do espaço através da luz: uma leitura da obra de Dan Flavin sob o aspecto do Design da Iluminação", pode acessar o PDF através do link abaixo.

21 de outubro de 2011

Pelstra Roger Narboni


“O plano piloto de iluminação para a cidade antiga de Jerusalém”
Roger explica que um plano piloto de iluminação começa por entender a cidade, suas origens, suas religiões. Entender a topografia e a geografia, rios, montanhas, vales. Jerusalém é uma cidade onde convivem muitas religiões e onde peregrinos vêm de longe.
A cidade velha foi destruída e reconstruída diversas vezes ao longo de sua história. Por isso há muita arqueologia. A cidade pertence ao reino da Jordânia, mas está ocupada por israel, e sua população é palestina. É uma situação muito complexa. Roger conta que continua sendo muito difícil, após 3 anos e meio de projeto ainda em andamento negociar com os representantes de cada religião. Cada região da cidade é ocupada por povos de quatro religiões diferentes.
Narboni optou por não respeitar essa divisão no projeto. Todas as áreas seriam tratadas igualmente. O projeto partiu de duas ideias principais:
  1. luz natural
  2. escuridão
Durante o dia há muito contraste devido ao posicionamento das ruas sempre no sentido leste-oeste ou norte-sul. Portanto há áreas, inclusive a parte norte do muro das lamentações, que nunca recebe sol direto. E isso é importante para se pensar a luz noturna desse lugar. A luz natural ee muito importante para o projeto da uz noturna, não para se imitar efeitos, mas para que haja uma integração, uma identidade luminosa do lugar. A luz noturna de Jerusalém atualmente é pouca, mal distribuída, caótica. O muro das lamentações é exageradamente iluminado. Ninguém vai lea à noite, é escuro e perigoso. 
Narboni escolheu como símbolo para o projeto a pedra Jasper, pois queria algo significativo mas que não estivesse ligado a nenhuma religião. A aparência da pedra é de que carrega muitas camadas da paisagem.
A proposta consiste em:
iluminar os rios;
deixar os cemitérios muito escuros;
iluminar os monumentos, os templos, as ruas e as árvores;
iluminar o muro que envolve a cidade com uma luz amarelada;
deixar o resto escuro.
A intenção é criar ambientações noturnas, mas trazendo segurança e estimulando a ocupação das ruas no período noturno. As morfologias escolhidas não separam a cidade por região, mas pelo contrário, as integram.





Palestra Alexandre Rieck

Alexandre Rieck é arquiteto sócio do escritório LAVA, e comanda projetos inovadores por todo o mundo.
O que comanda nosso mundo?
A necessidade.
A era da industrialização, da produção e a invenção de tipos de consumo (trem, ferrovia, eletricidade, automóveis, comunicação) acabou. Agora é a era da saúde, da biotecnologia, da energia verde. De saúde mental e corporal, e do meio-ambiente.
Nós, arquitetos, queremos a lâmpada incandescente, e não sabemos o que fazer com estes LEDs que estão por aí. Nós temos tudo, tudo já foi produzido. O que falta é receita. Ou seja, o que usar e como usar. Precisamos de criatividade para implementar as ideias. Nosso problema é que já temos tudo.
O futuro é o cérebro. Entender como o cérebro reage em determinados espaços e como produzir espaços que nos estimulem, que nos façam criar. Há fatores que incentivam o conforto e o bem estar e nos estimulam dentro do ambiente construído. Por isso pesquisamos e criamos ideias integradas em laboratórios como o Lightfusionlab, no escritório LAVA.
Precisamos de “fontes para o cérebro”.























Palestra Thomas Shielke (Dinamarca)


“Luminous walls: from satined glass windows via modernist wallwashing to pixelated planes”
A pesquisa procura revelar que tipo de espaço social se produz através de paredes luminosas. Na arquitetura gótica os enormes vitrais usavam a luz filtrada para exibir cenas bíblicas. Na arquitetura japonesa as paredes luminosas são não-informativas. Ele cita o livro de Junichiro Tanizaki, “Em louvor da sombra”, em que o autor descreve o papel japonês como produtor de uma suavidade presente em toda a cultura japonesa.
Shielke mostra imagens de arquitetura bizantina com paredes de gráficos recortados que filtram a luz para o interior da edificação. Também ressalta a simetria presente nessas composições.
Cita Frank Lloyd Wright e suas paredes de vidro que tangenciam a imaterialidade, criando uma transparência para o real de fora e uma distorção criando certa virtualidade. Na arquitetura de Mies van der Rhoe cada plano vertical ee um elemento por si só e torne-se uma tela para a luz difusa e homogênea.
No edifício criado por Jean Nouvel, do Instituto Mundo Árabe ele chama a atenção para o mecanismo que abre e fecha a “parede-diafragma” para controlar a entrada de luz no espaço.
Atualmente as paredes luminosas são compostas por pixels e podem ser programadas para exibir imagens nítidas. Projeções em vídeo de alta definição podem transformar paredes em espaços de múltiplas experiências em 3D.
Ele mostra duas imagens: o Seagram Building com uma perede lavada de luz e outra com imagens em pixels. E levanta uma questão: este recurso é a arquitetura em si ou uma ferramenta para torná-la mais atraente?

20 de outubro de 2011

Palestra Malcom Innes (UK)


“Porque está tão escuro aqui? - percepção do brilho em níveis baixos de iluminância em museus”
Innes cita a dimerização como meio muito utilizado para se atingir os níveis de 50 luz recomendados para obras de arte muito sensíveis à luz como sendo uma solução ruim. Ele costuma usar um outro truque: desafinar a luz, deixando boa parte do foco para fora da obra e deixar sobrar apenas uma parte mais suave da luz na obra, e dmerizando o mínimo possível, a ponto de não mudar significativamente a temperatura de cor.
Segundo sua hipótese baseada na observação e na experiência, luz baixa com baixa temperatura de cor provoca a sensação de que o objeto está pouco iluminado. No entanto, a mesma iluminância com uma temperatura de cor mais alta provoca a sensação de que o objeto está melhor iluminado.
Innes se pergunta: “A temperatura de cor afeta nossa percepção do brilho em baixos níveis de iluminância?” E desenvolve uma pesquisa para comprovar sua hipótese.
Ele realiza um protótipo em tamanho real para testar sua teoria, com um luxímetro anexado a uma imagem e mudando as fontes de luz que incidem sobre a imagem- lâmpadas de baixa voltagem e LEDs. Pessoas que participaram do teste deveriam controlar a intensidade das lâmpadas com diferentes temperaturas de cor para que ambas parecessem com a mesma luminosidade.
Os resultados comprovam com alguma margem de erro - ele reconhece - que a temperatura de cor mais branca atingira o objetivo visual proposto com menos iluminância (medida pelo luxímetro em lux) do que a lâmpada de baixa voltagem de temperatura de cor mais amarela.
Entretanto no teste com LEDs as pessoas que fizeram parte da pesquisa se confundiram muito para conseguir combinar as temperaturas de cor de 3.000K e 4.000K, e os valores oscilaram muito, invalidando essa parte da pesquisa.
As conclusões são:
  1. A lâmpada de baixa voltagem sem dimerização parece mais brilhante;
  2. testes com LEDs mostram que o efeito de luminosidade não se traduzem em diferentes temperaturas de cor;
  3. luxímetros não são bons indicadores de brilho em níveis baixos;
  4. Para os participantes foi muito difícil diferenciar temperatura de cor de brilho.



Palestra Edward Bartholomeu (USA)


“Aplicação do escuro - Um modelo para um design baseado em luminâncias que cria um ambiente mais balanceado, mais rico e sustentável.”
O escuro e a sombra são os elementos que permitem ver o detalhe das coisas, é assim que o fotógrafo traduz o mundo visível. O cérebro humano é capaz de se adaptar às mais variadas condições de luminosidade. São dois tipo de adaptação: global e local.
Bartholomeu explica que o homem possui um tipo de visão especialmente adpatada ao escuro, chamada “scotopic vision”, que permite que alguns detalhes sejam percebidos mesmo com pouca luminosidade ambiente.
Para avaliar se um dado ambiente possui uma boa visibilidade, ele mostra um modelo em que a foto do ambiente é transformada em um gráfico de “cores falsas”, que estabelece uma gradação para as luminâncias em cada elemento do ambiente. Com isso, consegue comparar as diferentes luminâncias para entender melhor os contrastes. O que é melhor para se entender o espaço? Contraste, ele mesmo responde.
Bartholomeu faz uma ressalva: as imagens mentem. Elas não nos contam toda a experiência que o espaço proporciona. Mas podem servir de base para análises.
Para ele, há 5 variáveis no escuro:
  1. área
  2. contraste
  3. material
  4. adaptação
  5. luminância
Com estas variáveis se consegue um “escuro composicional”, como o Chiaroscuro da pintura barroca, por exemplo. Ele cita também os estudos sobre sombra feitos por Leonardo da Vinci. Compara a experiência da luz no teatro, que se desenvolve sobre uma caixa preta com a experiência da luz na arquitetura da caixa branca.
Ele traça as seguintes relações:
a luz estimula a visão, longas distâncias e objetividade
a sombra estimula os outros sentidos (audiçnao, tato, olfato, paladar), os detalhes e a subjetividade.
www.exquisedarkness.com

Palestra Paul Marantz (USA)

Palestra introdutória: Paul Marantz (USA) 

“Como o Ipad pode salvar a lâmpada incandescente”
Para Paul Marantz todas as ferramentas para iluminação são úteis. Numa mesma tela, ele coloca a imagem de uma lâmpada incandescente - recentemente banida do mercado europeu - e de um Ipad. Com uma crítica subliminar ao banimento se coloca favorável à utilização de fontes das mais antigas à mais atuais.
Energia é um assunto que causa controvérsia: é nossa amiga ou inimiga? Ao mesmo tempo que precisamos dela para alimentar nossos automóveis, computadores, etc, causa guerras e disputas de poder muito ruins para a humanidade.
Segundo ele, tudo gira em torno do consumo. Os automóveis são o maior desafio, é improvável que haja uma solução para o consumo de fontes de energia esgotáveis. Se coloca contrário à proibição da lâmpada incandescente, que compara à proibição do álcool nos Estados Unidos na década de 20. Entretanto é necessário reduzir o consumo de energia elétrica, segundo ele. “Temos que pensar em racionamento”. E propõe alguns caminhos, como por exemplo criar uma sobre taxa para quem consumir mais energia elétrica do que o estabelecido por metro quadrado de uma construção.
Marantz exibe um software que avalia o consumo de energia de uma habitação, por exemplo, separando por uso. Assim é possível conscientizar-se sobre o consumo, e assim tomar as decisões certas nos cortes, por exemplo no desperdício com luzes acesas desnecessariamente. Com isso, segundo ele, pode-se reduzir muito o consumo de energia, sem banimentos.
Palestra “Iluminando o prédio mais alto do mundo: o Burj Khalifa, em Dubai”
Por motivos desconhecidos, Marantz deu uma palestra muito breve, terminando meia hora antes do horário. Ainda assim, vai aqui a minha transcrição.
A iluminação do edifício residencial foi feita com projetores de vapor metálico colocadas em ângulo vertical, rente à fachada. Segundo ele, uma luz lavada frontal incomodaria os residentes e geraria muita luz desperdiçada, que não iria atingir a fachada, criando vazamentos e poluição luminosa. Desta forma, tentou aproveitar toda a luz instalada na fachada, segundo ele, “para não levar bronca do pessoal do Dark Sky” (ele se refere à Dark -Sky Association, que busca reservar o ambiente noturno).




19 de outubro de 2011

Palestra de Giovani Traveso - Itália

Giovani começa a palestra dizendo que luz é o meio e percepção é a interpretação dos estímulos visuais. Ele traça uma linha do tempo bem resolvida no que diz respeito às questões mais relevantes em cada período da história do design da Iluminação.
1950-70: a luz técnica, que precisava resolver uma luz homogênea e eficaz nos ambientes
70-80: design de luminárias como um elemento importante nos ambientes
80-90: luz cência, o efeito da luz no ambiente passa a ser mais importante do que ver a luminária
90-2000: luz colorida
2000 em diante: lighting masterplans, ou seja, planos diretores para criar uma nova luz para as cidades
Hoje em dia: luz em estado sólido (LEDs) e sistemas de controle (dimerização)
Para ele, os problemas de hoje são: perdemos o céu, e a visão das estrelas. Vivemos sempre em ambientes muito luminosos, com iluminação uniforme.
A eficiência em iluminação não é mais uma questão de lúmens por Watt, mas envolve sistemas eficientes, integrando luz artificial com luz natural. A luz certa no lugar certo. Esse é o papel do designer da Iluminação.

Palestra Heinrich Kramer / Dinamarca: “Como o homem precisa de luz”

Kramer começou a palestra dizendo que há duas filosofias em iluminação: os padrões existentes e o design da iluminação, e que há um grande esforço dos Designers em combater tais padrões. Para ele, faltam conhecimentos sobre luz para a saúde do ser-humano. Mas sabe-se que quase todos os órgãos do corpo precisam de luz para funcionarem bem. E que precisamos de muito mais luz do que as fontes artificiais são capazes de proporcionar, se pensarmos em economia de energia.
Há dois caminhos através dos quais o homem absorve a luz: pela pele e pelos olhos. Através da pele os raios U.V.b e Infra-vermelho ajudam na produção de vitamina D, vital para o Homem. 
Através dos olhos a luz estabelece uma espécie de “relógio interno” que coincide com um “relógio do cérebro”, chamado ciclo circadiano. Este é o ritmo em que nosso organismo produz alternadamente dois tipos de hormônios: o ACTH + cortisol, responsáveis pela vigília; e a melatonina, responsável pelo sono.
Para Kramer, a indústria está desenvolvendo as tecnologias da iluminação ainda baseada nos antigos parâmetros quantitativos para uma boa iluminação. Mas segundo ele, a melhoria da qualidade dos ambientes iluminados deveria levar em consideração em primeiro lugar: uma luz para a saúde e para os estados psicológicos e emocionais, e em segundo lugar a arquitetura.
Segundo Kramer as necessidades humanas com relação à luz são:
  1. saúde e bem estar do homem;
  2. sentido de orientação e espaço no tempo;
  3. comunicação e privacidade;
  4. percepção da situação existente e evitar contradições;
  5. sutis variações sem monotonia.
A sugestão de Kramer é que a luz artificial tente ao máximo se aproximar dos estímulos luminosos que sempre existiram na existência humana, evitando assim uma série de doenças relacionadas à falta ou excesso de luz. Para ele, a luz à noite deve ser sempre uma luz baixa, situada abaixo do nível dos olhos e em temperaturas de cor amareladas, mais próximas da luz do fogo. Nunca uma luz geral e homogênea.
Esses parâmetros são totalmente diferentes dos padrões existentes, não são mensuráveis e são “muito mais complexos do que os engenheiros gostariam.”
Questões levantadas pela platéia:
  • O excesso de sol não é recomendado pelos dermatologistas.
  • Como propor uma mudança de comportamento, já que trabalhamos até muito mais tarde do que o pôr-do-sol com a luz de nossos laptops? A sociedade quer esse tipo de mudança?
OBS: anotações e traduções informais de Fernanda Carvalho sobre o conteúdo das palestras do PLDC - Madrid 2011

PLDC em Madrid!

Começou hoje em Madrid o terceiro PLDC - Professional Lightng Design Convention. A primeira edição aconteceu em 2007 em Londres, e ali foi lançado o manifesto de estabelecimento da profissão do Designer da Iluminação. Eu estive lá e não pude perder também a segunda edição, em Berlim, em 2009. E aqui estou eu em Madrid, mas desta vez pretendo publicar aqui alguns fragmentos das palestras que eu puder assistir. São sempre 4 palestras simultâneas, ou seja, só é possível acompanhar um quarto do conteúdo, e é bem difícil escolher em que sala entrar...
Hoje aconteceram os encontros pre-convenção, abertos a todos. Os assuntos principais foram luz e saúde, sustentabilidade  e ensino. Luz em estado sólido (LEDs) foi assunto que permeou todas as apresentações, relacionado aos tópicos principais. Dá para ver que vem por aí muita informação e inspiração!